Jurubatuba

Reflexões sobre o Rio Pinheiros

PAIS: BRASIL
CIDADE: SÃO PAULO
ANO: 2021 - 2022

No período colonial, o rio se chamava Jurubatuba, do tupi “local com muitas palmeiras jerivás”. Em suas margens havia uma aldeia indígena que os jesuítas chamavam de Pinheiros, por ficar numa região com muitas araucárias

Valdir Cruz nos mostra as águas, com suas nascentes poderosas, por meio de cenários mágicos – o que reforça a emergência da preservação. Ele também desvela duras realidades e duas faces do Pinheiros: a do rio em seu estado de tensão e a do rio possível.

Ana Cristina Carvalho Faggin

NASCENTE

Rita Alves

O homem é fonte
vínculo divino entre
o céu o sonho e o rio

A cada dia transforma
a fome em luta
a luta em glória

Como pedra
que segue
o curso infinito

Nascente que jorra
a impermanência da vida
entre luz e sombra

Forja a sede na
translúcida imagem
onde nasce o peixe

Registro efêmero
passageiro do tempo
na viagem da água

Nascente do rio Pinheiros – Serra do Mar
Série – Jurubatuba
Fotografado/2021, Paranapiacaba – SP

Rio Pardo, I Proximidades da nascente – Serra do Mar
Fotografado/2021, Paranapiacaba – SP

Amanhecer – rio Pinheiros
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Cidade Jardim, II (margem sentido sul)
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Cidade Jardim, I (margem sentido sul)
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Paisagem Urbana (margem sentido centro)
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Usinas termoelétricas Piratininga (1954) e Nova Piratininga (2002)
Fotografado/2021, São Paulo – SP

O luxo e o lixo
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Natureza morta, II
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Bica – Comunidade Mandioquinha
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Guiomar Conceição
dos Santos – Vila Clara

O som de uma voz pode nos impactar, criando o conceito sobre uma pessoa antes mesmo de processarmos o que ela tem a dizer. Entretanto, Dona Guiomar, cuja voz baixinha, delicada e ofegante aparenta fragilidade, trata-se de uma gigante e de uma verdadeira fortaleza, uma grata surpresa.

Nascida e criada na comunidade Vila Clara, 58 anos, sua história com a reciclagem começou com a necessidade de alimentar as filhas. Funcionária administrativa na Santa Casa de Misericórdia, ao fim do expediente recolhia o lixo para vender e complementar a renda para o sustento da família. Foi advertida pela chefia que, se continuasse a catar lixo, perderia o emprego, pois manchava a imagem da instituição. Guiomar Conceição dos Santos deixou então a Santa Casa e seguiu em sua incrível trajetória.

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Guiomar Conceição dos Santos - Comunidade Vila Clara
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Liberdade - Comunidade Olaria
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Maria Aparecida
Falcão – Babilônia

Nega é dessas pessoas solares que, apesar da rudeza da vida, encontra meios para sorrir, ter amigos, parceiros e ideias para celebrar a vida e compartilhar. Talvez a palavra que melhor se encaixe em sua biografia: partilha.

A voz rouca e forte conta orgulhosa que foi cozinheira por quase vinte anos numa empresa, e ainda assim não conseguiu se aposentar. Foi o patrão quem construiu sua casa e é a casa o cenário para seu percurso e seu sonho. Sobre o armário, panelas grandes; sob o teto, um fogão industrial de duas bocas caindo aos pedaços que, uma vez ao ano, dia 12 de outubro, prepara o almoço para as centenas de crianças da comunidade.

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Maria Aparecida Falcão (Tia Nega) - Comunidade Babilônia
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Esperança - Comunidade da Bica
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Comunidade Babilônia
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Daniel Almeida de
Santos Melo – Vietnã

Devido ao forte odor do rio poluído, as moças aprendem a cozinhar com temperos mais fortes, para abstrair o mau cheiro e irradiar pela casa o aroma agradável da escassa comida. Daniel diz que toda mulher da comunidade cozinha muito bem e consegue, assim, suprimir o odor do rio com a alquimia dos temperos. Em seu rico depoimento, tudo é simbólico e ao mesmo tempo permeado de uma contundente realidade.

Com o propósito de desenvolver um trabalho social na comunidade Vietnã, que ele chama de missão, Daniel conheceu sua esposa, Isis, e com ela teve cinco filhos. Tem 56 anos, metade vividos na comunidade.

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Daniel Almeida de Santos Melo - Comunidade Vietnã
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Menina da Bica - Comunidade da Bica
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Lucicleide Doralice
da Silva – Vila Clara

Aos 12 anos de idade, Lucicleide veio de Olinda para São Paulo. Foi morar na rua Marjorie, às margens do córrego Cordeiro, Vila Clara. A mãe, Dona Estelita, era uma guerreira: pai e mãe da família e espelho e guia da nossa personagem.

Seu nome foi a mãe quem deu, ao registrá-la em cartório contra a vontade do pai, mas como os nomes de todos os irmãos começavam com “L” ficou assim mesmo. Quando veio para São Paulo, ela adotou por conta própria o nome dado informalmente pelo pai, Rita, como todos a conhecem na comunidade.

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Lucicleide Doralice da Silva (Rita) - Comunidade Vila Clara
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Córrego Souza Dantes - Comunidade Souza Dantes
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Trabalhador, II – Córrego Tanquinho - Comunidade Santa Clara
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Trabalhador, I – Córrego Engenho - Comunidade Jardim Mitsutani
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Córrego Engenho - Comunidade Jardim Mitsutani
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Jardineiro
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Entardecer
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Ponte Octávio Frias de Oliveira (Ponte Estaiada), I
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Ponte Octávio Frias de Oliveira (Ponte Estaiada), III
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Ponte Octávio Frias de Oliveira (Ponte Estaiada), IV (Detalhe)
Fotografado/2021, São Paulo – SP

Paisagem noturna
Fotografado/2021, São Paulo – SP